INTERFACE CORPO/PSIQUE

Relaxamento

Nossa cultura tem a tendência de separar tudo. Essa tendência

tomou conta também da área da saúde. Se por um lado isso é

ótimo porque possibilitou a especialização e o conhecimento

mais aprofundado das partes estudadas, por outro lado quando

perdemos a noção da totalidade e/ou tomamos a parte pelo todo,

isto se torna um problema.

Separamos as coisas para poder compreendê-las melhor, estudá-las

e nos especializar. Mas é muito importante que, depois disso, seja

possível reconectá-las novamente. A parte e o todo não existem de forma independente. Assim são nosso corpo e nossa psique, nosso corpo e seus órgãos. Assim como o fígado não pode funcionar sozinho sem o restante do corpo,

também nossa psique não pode funcionar sem o corpo e nem o corpo pode

funcionar sem a psique e/ou sem o fígado.

Para nós, fazer a conexão corpo-psique é uma necessidade.

A interface corpo-psique é estudada dentro da psicologia e da medicina, na psicossomática.

Como regra geral, na psicossomática acredita-se que emoções e conflitos emocionais que não podem ser acessados pela consciência expressam-se através do corpo. Nesta teoria, conflitos emocionais que não conseguimos entrar em contato ̶  seja por estarem muito inconscientes, seja porque são um desafio grande demais para a pessoa naquele momento ̶  serão expressos através de sintomas físicos e/ou doenças.

A medicina descreve algumas doenças como sendo doenças psicossomáticas. São exemplos dessas doenças a gastrite e a hipertensão, cujos sintomas são muito alterados por condições emocionais. No entanto, se olharmos com mais profundidade para o paradigma psicossomático perceberemos que todas as doenças e todos os sintomas têm algum aspecto psicossomático.

Uma ciência que também estuda a interface corpo-psique é a medicina chinesa.

A relação corpo psique, que algumas vezes é denominada relação corpo-mente, é bastante complexa. Frequentemente utilizamos o termo mente para designar a psique. Assim, muitas vezes vemos a expressão corpo-mente referindo-se na verdade a corpo-psique. A psique é mais do que a mente.

 

Se utilizamos como referência a psicossomática, buscaremos compreender os conflitos que estão sendo expressos através dos sintomas e do corpo para trabalhar com eles.

 

Os conhecimentos da medicina chinesa somados aos da psicossomática são de grande valia na compreensão desses conflitos e da relação deles com o corpo. No entanto, a utilização e a integração prática destas teorias também constituem algo complexo e desafiante.

 

Complexo e desafiante porque mesmo com todo este conhecimento não é possível, quando se trata de psique, estabelecermos regras de causa e efeito e muito menos regras que demonstrem o funcionamento das pessoas de forma replicada. A psique é o que nos torna únicos, por isso a impossibilidade de replicar o que acontece com uma pessoa para a outra. Podemos perceber padrões de comportamento que se repetem, no entanto o que gerou este padrão é sempre diferente de uma pessoa para outra e, por isso, a solução também vai ser diferente. Da mesma forma, mesmo havendo padrões comuns, o que acontece com cada indivíduo é sempre único e buscamos perceber isto. Não é adequado buscarmos encaixar uma pessoa em um padrão devido a um sintoma. Os padrões mais comuns são diretrizes de investigação e não uma categorização em que vamos encaixar a pessoa.

Desta forma, o estudo da psicossomática e de teorias que possam favorecer a compreensão da integração corpo-psique é extremamente útil e importante para nos dar direções para a investigação de cada indivíduo.

Nos quadros psiquiátricos, o trabalho com as questões emocionais é extremamente importante. Costumamos explicar aos clientes que o medicamento vai ajudar a regular as substâncias cerebrais relacionadas aos sintomas tornando a pessoa novamente capacitada a utilizar suas habilidades para resolver seus conflitos. Ou seja, os medicamentos não podem resolver os conflitos emocionais de ninguém. No entanto são bastante úteis para trazer a pessoa de volta à sua capacidade funcional e, então, a própria pessoa resolve suas questões emocionais, em geral com auxílio de um psicoterapeuta.

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