Nutrição e saúde

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Psiquiatria nutricional

Os anos avançam e assim a Ciência, reafirmando cada vez mais a importância do padrão alimentar na rotina dos indivíduos, configurando possíveis intervenções clínicas na prevenção e controle das doenças mentais.

Médicos, nutricionistas e pesquisadores de todo o mundo começaram a trabalhar em parceria para averiguar com mais profundidade as relações entre os nutrientes e a mente e reuniram o conhecimento adquirido no que é chamado psiquiatria nutricional.

O agricultor e psiquiatra da Universidade Columbia (Nova York, EUA), Drew Ramsey, defende que uma dieta deficiente é um dos maiores fatores que contribuem para a depressão. Nesse sentido, uma das metanálises (técnica estatística) mais recentes publicadas sobre os efeitos da nutrição na saúde mental, da qual participaram cientistas do mundo todo, descobriu que “manter uma dieta saudável, em particular uma dieta mediterrânea tradicional, e evitar uma dieta pró-inflamatória parece dar certa proteção contra a depressão em estudos observacionais. Isso proporciona uma base de evidência razoável para avaliar o papel das intervenções dietéticas para prevenir a depressão”, diz o texto.

Ao explorar a relação entre nutrição e saúde mental, os achados científicos são claros quanto aos benefícios de uma alimentação saudável em todas as fases da vida.

Uma série de vias biológicas como inflamação, estresse oxidativo e composição da microbiota gastrointestinal têm relação consistente com tal associação entre dieta e as doenças mentais comuns.

No entanto, a relação entre os nutrientes e a depressão, por exemplo, é muito complexa, e não é tão direta como pode parecer. O desenvolvimento da doença mental envolve a interação de numerosos fatores. Existem, por exemplo, as diferenças genéticas entre os indivíduos, assim como a influência do ambiente, do estilo de vida, entre outros fatores, que fazem com que os déficits nutricionais repercutam mais ou menos no risco de adoecer. Mas é certo que nos últimos anos aprendemos que o mais importante para a saúde mental é o padrão alimentar como um todo, mais do que a ingestão de um alimento ou de um nutriente isolado.

O que importa para o nosso cérebro é a diversidade e a harmonia entre os diversos nutrientes assim como a saúde da microbiota, fundamental para garantir uma boa atividade cerebral.

Dessa forma garantimos bem-estar e saúde, com equilíbrio físico e mental.

Microbiota gastrointestinal e distúrbios neurológicos

 

Existem cada vez mais estudos relacionando a microbiota com as doenças mentais. A microbiota intestinal, conhecida como flora intestinal, é formada por um conjunto de microrganismos que vivem no sistema digestório, em particular no intestino. Entre esses microrganismos estão bactérias benéficas ao nosso corpo e outras que são nocivas.

 

A interação entre o intestino e o sistema nervoso central, segundo pesquisas, é responsável pela regulação da química do cérebro, influenciando os sistemas neuroendócrinos associados ao estresse, ansiedade e memória. Este sistema de interação cérebro-intestino está envolvido na patogênese (causa) dos transtornos mentais e psiquiátricos. É, portanto, muito importante o papel desempenhado pela microbiota intestinal e pela dieta neste cenário.

 

Desequilíbrios na microbiota intestinal têm sido associados a diversos distúrbios neurológicos, incluindo doença de Alzheimer, esclerose múltipla, doença de Parkinson e doença de Huntington. A alimentação ocidental mais comum, rica em alimentos processados, com alto teor de gordura, açúcar, aditivos químicos e pobre em fibras e micronutrientes, reduz a diversidade da microbiota intestinal, aumentando a inflamação e elevando o risco de doenças.

 

Um aporte nutricional adequado, rico em macronutrientes e micronutrientes na dieta é essencial para a saúde da microbiota, que pode apresentar diversos estágios de equilíbrio ou desequilíbrio. Em um organismo saudável existe um equilíbrio entre as bactérias e o corpo da pessoa.

 

Qualquer alteração indesejável na composição da microbiota intestinal resultante do desequilíbrio entre as bactérias benéficas, como lactobacilos e/ou bifidobactérias, e as nocivas (patogênicas), em comparação com as encontradas em uma população saudável, pode ser chamada de disbiose.

O principal fator que culmina na disbiose é a má digestão de alimentos por mastigação inadequada, saúde oral ruim, estresse, composição da alimentação, tipo de parto, consumo de álcool, não amamentação, intolerâncias alimentares, uso de medicamentos, gastrite, estado de motilidade intestinal e comorbidades como diabetes e AIDS.

Essa má digestão resulta em sobra de alimentos no intestino e consequente fermentação por bactérias ruins, podendo liberar metabólitos, causar refluxos e distensões abdominais, além de alimentar a microbiota ruim.

Entre os principais sintomas clínicos apresentados pelos indivíduos estão: flatulência, náuseas/vômitos, cólicas, diarreias, constipação/prisão de ventre, inchaço/abdômen distendido, azia, dor estomacal/intestinal. Esses sintomas indicam uma disbiose intestinal e podem justificar a realização de exames específicos para conferir o equilíbrio da flora intestinal.

Explorar a contribuição da microbiota é, portanto de grande valia, tendo em vista a possibilidade de intervenção por meio de sua modulação, frente aos quadros de doenças mentais.