Neuromodulação

Verificações do cérebro

Quando falamos em neuromodulação, é importante entender como ocorre a neurotransmissão, isto é, a comunicação entre os neurônios no cérebro. A neurotransmissão pode ser descrita de vários pontos de vista: anatômico, químico, elétrico.

A neurotransmissão clássica começa por um processo elétrico por meio do qual os neurônios enviam impulsos elétricos de uma parte da célula a outra parte de uma mesma célula, através dos axônios. Na sequência, o neurônio envia um mensageiro químico ou neurotransmissor aos receptores de outro neurônio.

A comunicação entre os neurônios é química e não elétrica. O impulso elétrico se converte em um sinal químico na sinapse, a região de comunicação entre os neurônios, conectando um neurônio pré e um pós-sináptico e gerando novamente neste último um impulso elétrico.

Como visto no texto sobre Psicofármacos, os medicamentos agem de formas específicas no cérebro e pertencem a diferentes classes de medicamentos disponíveis para tratar as diversas patologias psiquiátricas. Eles irão agir na neurotransmissão do ponto de vista anatômico e químico. Porém, muito tempo antes deles surgirem podíamos contar com a ação na neurotransmissão elétrica.

Apesar de dispormos hoje em dia de um grande contingente de medicamentos para tratamento, sabemos que os resultados são limitados. Muitos pacientes não respondem a eles ou apresentam inúmeros efeitos colaterais.

Esses foram os motivos que impulsionaram a retomada de tratamentos não farmacológicos, bem como o desenvolvimento de tecnologias que permitiram entender os mecanismos biológicos das técnicas de neuromodulação e produzir aparelhos adequados.

As técnicas de neuromodulação são utilizadas para modular o tecido neuronal, e podem estimular estruturas centrais, isto é, do sistema nervoso central, como córtex cerebral, cerebelo e medula, e periféricas, isto é, do sistema nervoso periférico, como nervos cranianos. Entre os principais alvos terapêuticos estão o córtex motor e o córtex pré-frontal dorsolateral.

A farmacoterapia e a neuromodulação podem ser utilizadas de forma combinada.

As técnicas de neuromodulação disponíveis são classificadas em:

1. Técnicas não invasivas

 

Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr ou TMS) – baseia-se no princípio da indução eletromagnética. Seus efeitos consistem na obtenção em longo prazo da eficiência sináptica, promovendo facilitação ou inibição, agindo, portanto, na plasticidade neuronal, ou seja, em muitas sinapses e diferentes neurotransmissores, dependendo da região estimulada.

 

Estimulação Magnética Transcraniana Profunda (EMTP) – aprovada em vários países no tratamento da depressão refratária e várias outras patologias. É uma evolução da EMTr alcançando regiões cerebrais mais profundas.

Estimulação transcraniana direta por corrente contínua (ETCC) – ainda não aprovada em nenhum país, mas com resultados de pesquisa que demonstram muita eficácia em quadros de depressão, dor crônica, doença de Parkinson e doença de Alzheimer.

Estimulação do nervo trigêmio por corrente elétrica (ENT) – A técnica é mais usada em Neurologia para tratar neuralgia do nervo trigêmio. Consiste na administração de corrente elétrica na superfície cutânea para relaxar os músculos hiperativos e promover alívio da dor. 

2. Técnicas minimamente invasivas:

Eletroconvulsoterapia (ECT)- estimulação transcraniana elétrica de grande intensidade a ponto de gerar uma convulsão. Essa técnica tratou com sucesso vários pacientes com depressão grave ou catatonia. É ainda utilizada em casos que não respondem ao tratamento medicamentoso. O paciente permanece sob indução anestésica e monitoramento adequado de ECG, EEG, e a técnica não provoca uma convulsão perceptível.

3. Técnicas invasivas:

 

Estimulação Cerebral Profunda – implantação de eletrodos uni ou bilateralmente, em áreas específicas do cérebro. Trata-se de uma intervenção cirúrgica que vem sendo utilizada nos quadros de depressão refratária, doença de Parkinson e tremores essenciais.

Estimulação do nervo vago – um dispositivo movido a bateria é implantado subcutaneamente na parede torácica. Um fio é conectado em torno do nervo vago e envia uma corrente elétrica, de forma intermitente. Esses estímulos atingem áreas cerebrais importantes.