Genética e transtornos mentais

Faixa de DNA

Transtornos mentais e hereditariedade

Quando falamos em hereditariedade estamos nos referindo à transmissão de certas características entre as gerações. Nossos genes contém a informação hereditária que é transmitida e que está no DNA.

Nós temos 30.000 a 70.000 genes distribuídos em 23 pares de cromossomos, sendo um destes pares os cromossomos sexuais.

 

A Genética é a ciência que estuda os genes e a hereditariedade. O termo “genético” é usado muitas vezes para indicar algo que é hereditário, que é transmitido entre as gerações. Os genes governam ações em cada uma de nossas células e, no fim das contas, em todo o nosso corpo.

 

Assim, quando dizemos que um gene “causa” uma doença, queremos dizer que ele determina certas ações em nossas células que resultarão em inadequado funcionamento de nosso corpo.

Algumas doenças são causadas por um único gene, como a hemofilia e a anemia falciforme.

No entanto, a maioria dos transtornos mentais é poligenética, isto é, causada pela ação de vários genes. Um transtorno pode envolver dez genes diferentes. Para cada gene, podem existir variações/mutações que poderão transmitir o risco para o transtorno e outras que não transmitirão. Ou seja, um transtorno é transmitido conforme o número de variações que a pessoa herda e, mesmo que herde, a gravidade do transtorno poderá ser leve, moderada ou grave.

Além disto, a ação dos genes pode se dar pela interação com fatores do ambiente (adversidades psicossociais). Assim, podem existir indivíduos com predomínio de fatores genéticos (risco genético alto) que desenvolverão a doença, mesmo com níveis muito baixos de adversidades psicossociais; outros que, sem risco genético, raramente desenvolverão a doença, mesmo com níveis de adversidade psicossocial muito alto. Existem também aqueles em que os genes e o ambiente interagem e se combinam, ou seja, conforme a adversidade psicossocial aumenta o risco de desenvolver o transtorno também aumenta. E por fim existem os indivíduos em que a genética é irrelevante para o risco geral de ocorrência do transtorno e somente a adversidade psicossocial está relacionada à expressão da doença.

A ciência tem avançado muito nos estudos genéticos em psiquiatria e também do ponto de vista da genética molecular, ou seja, do estudo dos genes que governam os sistemas da neurotransmissão cerebral.

Em resumo, os transtornos mentais são poligenéticos, os genes e o ambiente interagem, e o risco genético para a ocorrência dos transtornos mentais é um fato, mas muitas vezes não é determinante para o desenvolvimento dos indivíduos.