Psicofármacos

remédio

Apesar da evolução da neurociência e da facilidade do acesso à informação, ainda existem preconceitos e temores relacionados aos medicamentos psiquiátricos, fato que demonstra a dificuldade que temos em separar quem somos nós do que é o cérebro. É comum ouvirmos questionamentos que revelam temores acerca de prejuízos e possibilidade de sequelas decorrentes do uso dos medicamentos psiquiátricos, o que não é comum ouvirmos quando prescrevemos um medicamento para hipertensão arterial, por exemplo.

Colaborando com essa dificuldade, existe o fato de que o cérebro é um órgão difícil de ser examinado e de que as evidências laboratoriais ainda são poucas.

Entretanto, o exercício da psiquiatria compreende técnicas de investigação do psiquismo que ajudam na formulação do diagnóstico e no tratamento dos transtornos mentais, trazendo de volta a funcionalidade e evitando prejuízos aos indivíduos em grande parte dos casos.

Certamente o tratamento iniciado precocemente e o acompanhamento médico regular melhoram a resposta e a evolução, contribuindo para o retorno à normalidade.

Procuramos promover com esses medicamentos, uma modulação química dos neurotransmissores em busca do retorno ao equilíbrio.

Os medicamentos em psiquiatria são chamados psicofármacos ou psicotrópicos e são divididos em classes. As doenças são denominadas Transtornos. A seguir listaremos as classes de psicofármacos, com algumas patologias em que são utilizados:

  • Antidepressivos: não tratam somente de depressão, como o nome poderia sugerir, mas também de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtorno do Pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Fobia ou Ansiedade Social, entre outros.

  • Antipsicóticos: não tratam só de psicoses, mas também de Transtorno Afetivo Bipolar, de Transtornos Depressivos Resistentes à tratamento e, em baixa dose, são utilizados para quadros de insônia mais severos também.

  • Psicoestimulantes: são os medicamentos utilizados no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção (TDA/H); podem ser usados em associação com os antidepressivos em casos de Depressão Resistente à tratamento; são prescritos também para o Transtorno do Comer Compulsivo, nos quadros de Narcolepsia ou Sonolência Excessiva Diurna.

  • Estabilizadores de Humor: exceto o carbonato de lítio, todos os outros medicamentos desta classe são utilizados em neurologia como anticonvulsivantes; em psiquiatria são usados no Transtorno Afetivo Bipolar para tratar e prevenir novos episódios da doença; nos quadros de Transtornos de Impulsos (alcoolismo, dependência química, jogo patológico, Transtorno do Comer Compulsivo, compras compulsivas, etc). O Carbonato de Lítio é preconizado para tratamento do Transtorno Bipolar e nos casos de risco de suicídio.

  • Hipnóticos: como o nome diz são utilizados para induzir e/ou manter o sono.

  • Ansiolíticos: são indicados para o controle das crises de ansiedade, no início do tratamento, ou como auxiliar nos quadros de insônia

  • Psicodélicos: nesta classe a única substância aprovada até o momento é a Esketamina ou Cetamina (por via endovenosa, intramuscular ou intranasal) nos quadros depressivos com alto risco de suicídio ou na depressão resistente à tratamento.

 

O tratamento deve seguir o planejamento médico com reavaliações regulares para controle dos sintomas e ajuste das doses diárias dos medicamentos.

Havendo a remissão do quadro clínico, devemos também aguardar tempo suficiente para que isso se consolide e fique estável.