DRUNKOREXIA
Em algum momento, um jornalista do New York Times começou a falar sobre este termo, que foi abordado recentemente em uma novela da Rede Globo "Viver a Vida" em que a atriz Bárbara Paz representava uma mulher "drunkoréxica": uma combinação de alcoolismo e anorexia.
No meio médico é comum falarmos em comorbidades das doenças, ou seja, doenças que se associam umas as outras.
Em relação aos Transtornos Alimentares, é destacada a associação do TCAP (Transtorno do Comer Compulsivo) e da Bulimia, com outros Transtornos dos Impulsos, como Alcoolismo, Dependências Químicas de outras drogas, Compras Compulsivas, Jogo Patológico, entre outros.
O que todas essas patologias têm em comum é o fato de, frente a um estímulo, provocarem no indivíduo a perda da capacidade de "freio". É o que nos aponta a um diagnóstico de um perfil de personalidade impulsiva nestes pacientes.
Sem dúvida, quando temos uma doença com uma ou mais comorbidades, estamos diante de um quadro mais grave, tanto do ponto de vista psiquiátrico, quanto do ponto de vista clínico. Este quadro de difícil tratamento possui um prognóstico mais reservado e acarreta em mais sofrimento não só para o indivíduo como para a família.
Porém, o que vem sendo veiculado recentemente é a associação da Anorexia com o Alcoolismo - a Drunkorexia - o que já é bem mais sério, pois o que ocorre é a substituição do alimento pelo álcool. E a questão é: estaríamos diante de uma comorbidade ou um subtipo de anorexia ?
Dizemos que é mais perigoso do que uma ou outra doença isoladamente, porque sabemos que beber depois de uma refeição contendo gorduras, proteínas e carboidratos é uma prática que diminui em 3 vezes a velocidade de absorção do álcool. Isso quando comparado a uma situação de consumo com o estômago vazio.
O metabolismo no fígado remove de 90 a 98 % da droga circulante. O restante é eliminado pelos rins, pulmões e pele.
Como a maior parte dos indivíduos que desenvolve Anorexia são mulheres, mais um agravante. As mulheres metabolizam o álcool mais lentamente que os homens e, consequentemente, apresentam uma concentração de álcool no sangue mais elevada após consumo da mesma quantidade de bebida. Além disso, são mais suscetíveis a doenças hepáticas, musculares, cardíacas e cerebrais causadas pelo consumo excessivo de bebidas alcóolicas.
A diferença entre os sexos é atribuída a uma menor quantidade de água no organismo feminino e a uma atividade mais baixa das enzimas metabolizantes do álcool no fígado.
Estas pessoas podem apresentar complicações cardiovasculares, digestivas, endócrinas, hematológicas e ósseas, bem como, desnutrição, desidratação, hipoglicemia, e confusão mental.
O tratamento tem o mesmo enfoque multidisciplinar que relatamos para os Transtornos Alimentares.